Armando Amante é filho de um entusiasta do squash, José Amante. Por isso é mais um caso de “filho de peixe que sabe nadar”. Ainda há poucos anos brincava apenas com a raquete e agora ganha ao pai à vontade. Mas também, em Macau, já ninguém o consegue derrotar, “o que começa a ser bastante desmotivante”, referiu o jovem jogador.
O grande destaque surgiu agora com as duas medalhas de ouro conquistadas nos Jogos Nacionais da China, que se realizaram na cidade de Suzhou com diversos desportos que não estão integrados nos Jogos Olímpicos, tais como golfe, bowling, squash, xadrez, entre outros.
Em squash estiveram presentes onze equipas, entre as quais Pequim, Kat Lam, Xangai, Kong Su, Chie Kong, On Fai, Wubei, Kuong Tong, Chong Heng, Neng Po e Macau. Formações de locais onde este desporto tem muito mais projecção do que no território, com jogadores mais experientes.
Desempate com Xangai favorável a Macau
Armando, de 18 anos, é ainda júnior, mas competiu com adversários na sua maioria mais velhos, o que fez valorizar os seus resultados. Ganhou em termos colectivos ao lado dos seus colegas da RAEM, Plutul Sun, Chan Chak In, Joyce Kuok e Wendy Chan. Na final, o quarteto macaense ultrapassou a poderosa selecção de Xangai e venceu por 3-2.
No último confronto, quando as equipas estavam empatadas a dois jogos, Amante venceu por 9-1,9-4 e 9-7. Para espanto de todos Macau ganhava colectivamente e o “miúdo” não deu hipóteses na derradeira jornada. Ajudou assim a arrecadar para Macau um saboroso título por equipas, que é o primeiro em toda a história da modalidade nas competições internacionais a este nível de primeiro escalão. Pequim classificou-se em terceiro lugar.
O jovem voltou a dar nas vistas (e de que maneira…) na prova de singulares, “limpando” todos os adversários que lhe apareceram pela frente. No desafio para atribuição do primeiro lugar, superou o número um de Xangai, Choi Ping Hua, pelos parciais de 9-1, 9-4 e 9-7.
Falta motivação
Armando Amante é estudante no Instituto de Formação Turística na área de Gestão de Hotelaria e gostaria de fazer as duas coisas, tirar o curso e continuar a jogar a um nível mais elevado do aquele que tem actualmente em Macau: “De facto começo a não ter motivação para entrar nos campeonatos internos e por isso gostaria de me tornar profissional daqui a dois anos, quando terminar o meu curso. Os estudos estão em primeiro lugar e depois vou tentar a minha sorte.”
O campeão de Macau é treinado por monitores com grande experiência de Hong Kong que vêm a Macau duas vezes por semana. “Hong Kong tem um nível muito superior e só assim é que ele pode progredir, indo ainda mais longe na modalidade”, salientou à nossa reportagem o pai, José Amante, praticante de squash há cerca de dezoito anos e membro da actual direcção da Associação de Squash de Macau. “Desde Abril de 2004 que ele não perde um torneio.”
Armando, que completa 19 anos em Outubro mas ainda pode participar, por mais uma época, na sua categoria júnior, começou a ganhar gosto pelo squash por ver o pai. “Ele ia comigo ao Hyatt para me ver jogar e pegava na raquete apenas para brincar. Tomou o gosto e iniciou então alguns treinos, jogando comigo, quando tinha dez anos. Teve hipóteses de integrar as aulas de Keneth Lee, jogador de Macau, e foi evoluindo, até porque, também no Centro Desportivo da Vitória, alguns treinadores locais davam cursos aos mais jovens. Toda a gente viu que ele tinha jeito. Aos 14 ficou em terceiro lugar no Campeonato de Macau da categoria de juniores, já nessa altura com adversários mais velhos. Progrediu rapidamente a partir daí.”
Título em casa e outro em Xangai
Só que agora ele não perde um jogo em Macau (o seu principal rival é Plutul Sun). Ainda há dias se tornou de novo campeão absoluto, ao derrotar na final do Open (realizado nas instalações do Hotel Hyatt), Chan Chak In, um dos seus colegas de selecção, por 3-0, parciais de 15-6, 15-11 e 15-11. Tecnicamente está já uns furos acima dos restantes. Fisicamente melhora cada vez mais com a ajuda de um preparador físico, tornando-lhe o jogo mais rápido.
O ano passado participou em provas no exterior, ganhando o Open de Xangai. Os resultados não foram tão bons já em 2006 no Asiático em Taiwan, no Quadrangular de Pequim e no Campeonato da Ásia Oriental na Coreia do Sul. “É que no continente asiático, nos seniores principalmente, o nível é muito alto, mas só assim através do ritmo competitivo é que ele pode subir ainda mais”, diz o pai.
Em Agosto próximo irá jogar no Open de Hong Kong para juniores, onde há dois anos foi à final da consolação e perdeu. Em 2005 ficou a meio.
“Enquanto ele estiver a estudar vai ser difícil participar em torneios do circuito asiático, mas depois vamos apostar na carreira dele. Vamos tentar investir”, referiu o pai com satisfação pela subida meteórica do filho, o que não é muito normal no panorama desportivo da RAEM.
Relativamente ao squash da RAEM, José Amante é peremptório em dizer que “a modalidade tem vindo a progredir, depois do aparecimento de mais recintos, entre os quais três recentes no Macau Dome. Temos apostado nas escolas e há já jovens a trabalhar, alguns dos quais saíram das Actividades de Férias.”
O squash do território tem actualmente cerca de quatro dezenas de jogadores que entram em competições de seniores e vinte nos juniores.
A nível de saídas colectivas durante este ano, a RAEM vai enviar uma equipa de quatro jogadores aos Jogos Asiáticos de Doha, no Qatar, em Dezembro. Lá estará Armando Amante para tentar mostrar que tem um largo futuro à sua frente.